Parte da obra de William Blake em The Book of Job (1825). Lembro como se fosse ontem que toda vez que alguém fazia algo moralmente incorreto e ganhava a fama na TV minha mãe falava "Este tem seu lugar garantido no Inferno" e eu ficava muito triste pela pessoa, pois já havia sido me contado a longa história desse lugar em chamas, onde se impera a dor e a aflição, uma orquestra regida por aquele que não deve ser nomeado, o Diabo.
Com a chegada da minha adolescência e um gosto refinado por músicas consideradas do mal, o uso constante de preto e as jogatinas de RPG, me vi sendo apontada como cultuadora do Satã. Finalmente me perguntei quem era aquela que a tudo não aceito pelo sociedade ou incorreto era posto a culpa.
A verdade é que a história daquele que é temido e cultuado, é mais remota do que o Cristianismo conta, seu mito se inicia no século IV a.C, na Pérsia, mais conhecida na modernidade como Irão. O Profeta Zaroastro ou Zaratrusta descreve Arimã, que vivia em constante guerra com Ahura Mazda e sua história é contada no Avesta, que está para o Zoroatrismo como a Bíblia é para os católicos.
Mas o mito se divide neste momento em questão, nós ocidentais estamos acostumados com a velha e boa narrativa que nos conta como Lúcifer foi jogado ao Inferno após tentar usurpar o lugar de Deus e na história Persa temos um Arimã que ama Mazda mais que tudo e não admite se ajoelhar a qualquer um que não seja o Divino.
Zaroastra na obra de Raphael Sanzio.

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