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segunda-feira, 25 de março de 2013

VISEU


O restaurante "O Cortiço", em Viseu, pediu a declaração de insolvência e fechou. Um dos mais emblemáticos espaços gastronómicos da cidade vai deixar de existir, pelo menos como era conhecido.
O restaurante há-de, contudo, reabrir, no mesmo local e com a mesma marca, mas com "outra filosofia". O anúncio foi feito pelo proprietário, Serafim Campos, que diz que esta decisão foi "empurrada" pelo "actual contexto de crise" que se vive em Portugal.

A insolvência foi declarada no final de Fevereiro e o restaurante está de portas fechadas há cerca de 15 dias. Ontem, Serafim Campos explicou ao PÚBLICO que a empresa detentora do restaurante abriu o processo de insolvência, porque estava "a chegar a um ponto sem retorno". Segundo o proprietário, o IVA a 23% para a restauração "ditou a morte" deste espaço.

"Entendemos fazer as coisas desta forma. Pedir a insolvência da empresa e arrancar com um outro plano. Temos um património de 47 anos que não posso deixar morrer. Manteremos a marca "Cortiço", que está registada, mas infelizmente vai ter de ser com outra filosofia, para nos conseguirmos aguentar", desabafou.

O empresário viseense anunciou ainda a intenção de abrir um outro restaurante em Paris, França, onde actualmente está a participar na 10.ª edição da Semana da Gastronomia Portuguesa. "Sou obrigado a procurar outros mercados. Em França, o IVA para a restauração é de 7% e, no fundo, vou ter que ganhar aqui dinheiro para pagar às pessoas que estão em Portugal", referiu.

O empresário assume-se revoltado com a "sentença" de morte que o Governo ditou para o sector, ao passar o IVA da restauração para os 23%, e lamenta que os protestos tenham esbarrado na "falta de sensibilidade de quem governa". "A restauração está a viver um grande drama e, enquanto o IVA se mantiver a 23% e a economia paralela continuar a existir, nem "O Cortiço" nem outro restaurante conseguem sobreviver em Portugal", vaticinou Serafim Campos.

Com quase cinco décadas de história, "O Cortiço" é um ex-líbris de Viseu e reconhecido como o herdeiro da tradição gastronómica beirã. Localizado no centro histórico da capital de distrito, tem sido, ao longo dos anos, ponto de paragem obrigatória para quem visita e vive na cidade. A sua história, pontuada por vários prémios recebidos em Portugal e no estrangeiro, começou com o poeta e gastrónomo "Dom Zeferino". Trata-se de um restaurante tipicamente beirão, não só pela ementa que oferece, mas também pela decoração - paredes em pedra com objectos em madeira e ferro forjado.

O seu mérito está espalhado pelas centenas de mensagens que os clientes foram afixando nas paredes. Testemunhos anónimos e outros mais conhecidos, como por exemplo o do apresentador televisivo Fernando Mendes, que atestavam a qualidade do restaurante.



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